Na data de 06 de junho de 2016, o Rotary Club Pelotas Norte fez a entrega do prêmio Melhor Companheiro 2016 a 4 estudantes das EMEFs Jacob Brod e Waldemar Denzer. Também foram homenageadas a sra. Nara Nubia Pereira de Azambuja, funcionária da 5ª CRE e sra. Angela Schwonke, representando o MCC - Movimento Cursilhos de Cristandade pelo apoio na Campanha Lacre Solidário. Nesta campanha o Rotary Club de Pelotas Norte já arrecadou mais de 90kg de lacres de alumínio de latas de bebidas. Esta arrecadação já resultou na aquisição de mais uma cadeira de rodas para o Projeto Banco de Cadeiras de Rodas e Equipamentos Hospitalares dentro dos Projetos de Serviços à Comunidade. Também foi agraciada a Empresa UVEL como Empresa ECO SOCIAL devido à colaboração ao Projeto de Apoio à Cooperativa de Catadores da Vila Castilho, que desenvolve um trabalho de recolhimento e reciclagem de lixo, apoiados pelo Rotary Club de Pelotas Norte. O Rotary Club de Pelotas Norte agradece o apoio recebido e parabeniza todos os homenageados na presente data.
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quarta-feira, 8 de junho de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
O que não reluz também pode ser ouro
Cooperativa de Catadores da Vila Castilho melhora a vida de famílias ao contribuir com a cidade
Por: Leandro Lopes
leandro.lopes@diariopopular.com.br
O que representa o lixo para você? Algo
inútil, que deve ser descartado? Algo sem serventia? Para famílias como a
do seu Jair é bem mais do que isso.
Presidente da Cooperativa de Catadores
da Vila Castilho (COOPCVC), Jair Moreira trabalhou por mais de 15 anos
no aterro municipal, próximo à rua Marcílio Dias. Revirando o entulho
ele sempre lutou para melhorar as condições de vida dos familiares,
enfrentando intempéries e se expondo diariamente a riscos. “Nós sempre
íamos pra lá à noite, com chuva, frio, tanto faz, não tinha tempo ruim.
Precisávamos estar lá, dependíamos disso pra sobreviver. O lixo sempre
foi nossa fonte de renda.”
Trabalho na cooperativa torna viável a reciclagem de resíduos (Foto: Leandro Lopes - DP)
Em 2012 o aterro foi fechado pela
Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Mas o que poderia ser o
fim para os que frequentavam o espaço foi, na verdade, um recomeço. As
cooperativas de reciclagem ganharam força na cidade. Depois de alguns
entraves administrativos, neste período foi formada a COOPCVC.
Esteira doada pelo Rotary acelera o processo e facilita a vida dos cooperados (Foto: Leandro Lopes - DP)
Enquanto fala sobre a estrutura montada
com muito esforço e suor, Jair sorri e contempla as paredes do galpão,
na rua Doutor Amarante. “Desde que começamos a trabalhar na cooperativa
nossas condições de vida melhoraram muito. No aterro nós não vivíamos.
Agora tudo mudou. Podemos dormir, mexemos com um lixo mais limpo,
resíduos melhores, e assim podemos ficar mais tempo com os nossos
filhos, nossa família”, conta, sem disfarçar a satisfação.
Enquanto no aterro o trabalho era muitas
vezes individual, no galpão todos os 14 funcionários aprenderam o real
sentido do verbo “cooperar”. Segundo Jair, juntos todos trabalham com
mais vontade, um ajudando o outro. “Formamos uma família”, resume.
Esteira doada pelo Rotary acelera o processo e facilita a vida dos cooperados (Foto: Leandro Lopes - DP)
E
quando se fala em “família” na COOPCVC não é apenas no sentido figurado.
Ana Paula, esposa de Jair, também trabalha no local. A exemplo do
marido, ela fala do serviço com orgulho. “O lixo é dinheiro. É uma ação
que fazemos pra ter lucro, mas que não beneficia apenas o nosso grupo. O
material que é recebido aqui nós classificamos, reciclamos e mandamos
pra fora. Assim ele não entope as valetas e não polui a cidade.”
Ajuda necessária e reconhecida
Através de convênios e parcerias, a associação foi passando por mudanças significativas ao longo dos anos. O Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) oferece uma bolsa mensal às cooperativas. O valor é destinado para remunerações e pagamento de custos fixos, como aluguel do prédio e energia elétrica. A quantia, segundo Jair, é fundamental para a continuidade do trabalho. “Esse repasse do Sanep é uma grande ajuda. Sem isso nós não conseguiríamos nos manter.”
Para o diretor-presidente da autarquia,
Jacques Reydams, o bom resultado do serviço realizado na COOPCVC é, da
mesma forma, fundamental à cidade. Um departamento acompanha a gestão
das cooperativas e a da Vila Castilho tem resultados surpreendentes.
Conseguiu inserir o trabalhador na sociedade e oferecer uma boa
perspectiva e qualidade de vida às pessoas.
Cooperados pedem que população separe o lixo; material não reciclável chega com frequência na COOPCVC (Foto: Leandro Lopes - DP)
O Sanep investe também nas outras quatro cooperativas de reciclagem de Pelotas.
Os resultados obtidos vêm orgulhando o poder público. “Eles cresceram
muito. Uma outra associação, localizada na Pinheiro Machado, já tem duas
viaturas próprias. Todos têm condições de melhorar e aumentar suas
capacidades de reciclagem e isso é espetacular para nós. Junto com a
prefeitura vamos continuar investindo e pretendemos montar mais uma
cooperativa. Isso significa menos descarte no meio ambiente. É
supergratificante”, diz Reydams.
Cada vez mais prefeituras estão
investindo em usinas de reciclagem. O reaproveitamento de resíduos de
construção pode reduzir custos na aquisição de materiais aplicados em
obras como, por exemplo, a pavimentação de vias públicas.
Resíduos chegam à cooperativa pela Coleta Seletiva e doações da comunidade (Foto: Leandro Lopes - DP)
Quem também acompanha com orgulho a
produção dos cooperados da Vila Castilho é o Rotary Club Pelotas Norte. A
entidade realizou a compra do maquinário utilizado pelos funcionários
da COOPCVC em todo o processo de reciclagem. Entre os equipamentos
adquiridos estão uma prensa e uma esteira, que influenciam diretamente
na qualidade do trabalho desenvolvido na cooperativa. O manuseio dos
resíduos, antes e depois de selecionados, ficou mais fácil e saudável.
Um dos diretores do Rotary, que preferiu
não se identificar, diz que poder auxiliar no crescimento das pessoas é
a maior alegria para os associados. “Ajudar o próximo não tira pedaço.
Cada vez mais ficamos contentes por poder fazer isso. Pudemos dar esses
equipamentos e, aos poucos, eles também estão adquirindo outros. Isso é
importante, não é apenas a questão da doação, mas sim de melhorar a
qualidade de vida de pessoas que se empenham e querem ser ajudadas.
Admiramos muito aqueles trabalhadores”, diz.
Jair trabalhou 15 anos no aterro municipal; ele é o presidente da COOPCVC (Foto: Leandro Lopes - DP)
E esta admiração dos rotarianos não se
materializa “apenas” nos materiais ofertados. O presidente da COOPVCV
ganhou, em outubro de 2015, um diploma de reconhecimento profissional
oferecido pelo Rotary. Reconhecimento este que pode ser percebido nas
ruas. “A comunidade nos cumprimenta, nos agradece. É emocionante.
Sentimos que nosso trabalho faz diferença. Isso é a coisa mais
importante”, garante Jair.
É possível melhorar
Para
que a cooperativa da Vila Castilho e as demais associações da cidade
possam dar sequência ao trabalho de reciclagem é importante que a
comunidade também ajude.
Jair ressalta que a COOPCVC recebe
resíduos de duas formas: através de doações e pela Coleta Seletiva. De
acordo com Reydams, nos últimos três anos vem sendo recolhida a mesma
quantidade de resíduos por mês em Pelotas: 150 toneladas. O número ainda
é pequeno perto das 4,8 mil toneladas mensais produzidas na cidade.
“Temos um potencial de crescimento muito grande. Com o empenho da
comunidade teremos menos descarte em aterros e mais renda para as
cooperativas, que podem beneficiar - cada uma - até 20 famílias.”
Separar e doar os resíduos para
cooperativas como a da Vila Castilho pode representar uma cidade mais
limpa, um meio ambiente menos poluído e muito mais sorrisos sinceros de
trabalhadores, como o Jair.
Cooperativa de Catadores da Vila Castilho - COOPCVC
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